Os presentes invisíveis
Receber algo sem querer, sem pedir, sem esperar.
Talvez algo que, no fundo, a gente até desejasse sem saber.
(Como naquela história do Jobs, sobre conectar os pontos só depois.)
É como aquela música maravilhosa que surge do nada, numa estação de rádio qualquer, e desaparece antes de sabermos quem canta.
Ou como a pessoa que passa pela janela do ônibus e prende teu olhar por um instante, toma posse dos teus olhos e vai embora levando algo que você nem sabia que tinha para dar.
Tudo presente.
E então, depois do turbilhão, vem a vontade de guardar tudo: a imagem, o som, a sensação.
Mas aí se descobre que, para que essas coisas aconteçam, não se pode esperá-las.
Não dá pra pedi-las de Natal, nem de aniversário.
Elas chegam quando o espírito está leve o bastante pra não exigir nada, nem sequer ser agradado.
(E é aí que o sorriso me vem fácil.)
Acho que os grandes presentes são esses: os que chegam de mansinho, quase em segredo.
O universo tem esse jeito curioso de nos surpreender volta e meia com dádivas que não cabem em pacotes.
E esses são, sempre serão, os presentes mais bonitos de se ganhar.
